"Não adoro nem venero, mas gosto na medida sadia e humana em que uma pessoa pode gostar de outra. O resto é detalhe." (Caio F. Abreu)
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terça-feira, 12 de abril de 2011
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Do teu lado - Leoni
Em tempo: Eu queria mesmo postar o vídeo da música Do teu lado, do Leoni, que eu simplesmente sou apaixonada, mas não consegui baixá-lo. Por esse motivo, deixo vocês com a letra e fico lhes devendo o vídeo, ok?
Do teu lado
Composição: Leoni
Te escrevo essa canção
Pra te fazer companhia
Pra segurar tua mão
Não te deixar sozinha
Canção feita de pele
Pra usar por baixo da roupa
Canção pra te deixar um gosto doce na boca
Te escrevo essa canção
Porque nem sempre ando perto
E essa canção me ajuda a atravessar um deserto
Canção de fim de tarde
Pra se infiltrar nos seus poros
Pra contar com você
Te olhar no fundo dos olhos
Canção pra andar do teu lado
Em toda e qualquer cidade
Pra te cobrir de sorrisos
Quando eu chorar de saudades
Te escrevo essa canção
Pra te fazer companhia
Pra segurar tua mão
Não te deixar sozinha
Canção feita de pele
Pra usar por baixo da roupa
Canção pra te deixar um gosto doce na boca
Canção pra andar do teu lado
Em toda e qualquer cidade
Pra te cobrir de sorrisos
Quando eu chorar de saudades
Pra te fazer companhia
Pra segurar tua mão
Não te deixar sozinha
Canção feita de pele
Pra usar por baixo da roupa
Canção pra te deixar um gosto doce na boca
Te escrevo essa canção
Porque nem sempre ando perto
E essa canção me ajuda a atravessar um deserto
Canção de fim de tarde
Pra se infiltrar nos seus poros
Pra contar com você
Te olhar no fundo dos olhos
Canção pra andar do teu lado
Em toda e qualquer cidade
Pra te cobrir de sorrisos
Quando eu chorar de saudades
Te escrevo essa canção
Pra te fazer companhia
Pra segurar tua mão
Não te deixar sozinha
Canção feita de pele
Pra usar por baixo da roupa
Canção pra te deixar um gosto doce na boca
Canção pra andar do teu lado
Em toda e qualquer cidade
Pra te cobrir de sorrisos
Quando eu chorar de saudades
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Por não estarem distraídos - Clarice Lispector
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.
No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
(Por não estarem distraídos - Clarice Lispector)
domingo, 7 de novembro de 2010
Fragmentos de: "Anotações sobre um amor urbano." Caio F. Abreu
"Como evitaremos que nosso encontro se decomponha, corrompa e apodreça junto com o louco, o doente, o podre? Não evitaremos. Pois a cidade está podre, você sabe. Mas a cidade esta louca, você sabe. Sim a cidade está doente, você sabe. E o vírus caminha em nossas, companheiro.
Fala, fala, fala. Estou muito cansado. (...) Um nojo, vez em quando me dá asco - nojo é culpa, nojo é moral - você se sente sórdido, baby? - eu tenho medo, eu não quero correr risco - não é mais possível - vamos parar por aqui - quero acordar cedo, fazer cooper no parque, parar de beber, parar de fumar, parar de sentir - estou muito cansado - não faz assim, não diz assim - é muito pouco - não vai dar certo - anormal, eu tenho medo - medo é culpa, medo é moral - não vê que é isso que eles querem que você sinta? Medo, culpa, vergonha - eu aceito, eu me contento com pouco - eu não aceito nada nem me contento com pouco - eu quero muito, eu quero mais, eu quero tudo!
Eu quero risco, não digo. Nem que seja a morte.
Cachorro sem dono, contaminação. Sagüi no ombro, sarna. Até quando esses remendos inventados resistirão à peste que se infiltra pelos rombos do nosso encontro? Como se lutássemos - só nós dois, sós os dois, sóis os dois - contra dois mil anos amontoados de mentiras e misérias, assassinatos e proibições. Dois mil anos de lama, meu amigo. Tantos lixos atapetando as ruas que suportam nossos passos que nunca tiveram aonde ir.
(...) Tantas mortes, não existem mais dedos nas mãos e nos pés pra contar os que se foram. Viver agora, tarefa dura. De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã. Mas o poço não tem fundo, persiste sempre por trás, as cobras no fundo enleadas na lança. Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim, há muito tempo estava acostumado a apenas consumir pessoas como se consome cigarros, a gente fuma, esmaga a ponta no cinzeiro, depois vira na privada, puxa a descarga, pronto, acabou. Desculpe, mas foi só mais um engano? E quantos mais ainda restam na palma da minha mão?
Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com esta fome na boca, beber um copo de leite, molhar plantas, jogar fora jornais, tirar o pó de livros, arrumar discos, olhar paredes, ligar desligar a TV, ouvir Mozart para não gritar e procurar teu cheiro outra vez no mais escondido do meu corpo, acender velas, saliva tua de ontem guardada na minha boca, trocar lençóis, fazer a cama, procurar a mancha de esperma nos lençóis usados, agora está feito e foda-se, nada vale a pena, puxar cobertas, cobrir a cabeça, tudo vale a pena se a alma, você sabe, mas a alma existe mesmo? E quem garante? E quem se importa?"
Fala, fala, fala. Estou muito cansado. (...) Um nojo, vez em quando me dá asco - nojo é culpa, nojo é moral - você se sente sórdido, baby? - eu tenho medo, eu não quero correr risco - não é mais possível - vamos parar por aqui - quero acordar cedo, fazer cooper no parque, parar de beber, parar de fumar, parar de sentir - estou muito cansado - não faz assim, não diz assim - é muito pouco - não vai dar certo - anormal, eu tenho medo - medo é culpa, medo é moral - não vê que é isso que eles querem que você sinta? Medo, culpa, vergonha - eu aceito, eu me contento com pouco - eu não aceito nada nem me contento com pouco - eu quero muito, eu quero mais, eu quero tudo!
Eu quero risco, não digo. Nem que seja a morte.
Cachorro sem dono, contaminação. Sagüi no ombro, sarna. Até quando esses remendos inventados resistirão à peste que se infiltra pelos rombos do nosso encontro? Como se lutássemos - só nós dois, sós os dois, sóis os dois - contra dois mil anos amontoados de mentiras e misérias, assassinatos e proibições. Dois mil anos de lama, meu amigo. Tantos lixos atapetando as ruas que suportam nossos passos que nunca tiveram aonde ir.
(...) Tantas mortes, não existem mais dedos nas mãos e nos pés pra contar os que se foram. Viver agora, tarefa dura. De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã. Mas o poço não tem fundo, persiste sempre por trás, as cobras no fundo enleadas na lança. Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim, há muito tempo estava acostumado a apenas consumir pessoas como se consome cigarros, a gente fuma, esmaga a ponta no cinzeiro, depois vira na privada, puxa a descarga, pronto, acabou. Desculpe, mas foi só mais um engano? E quantos mais ainda restam na palma da minha mão?
Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com esta fome na boca, beber um copo de leite, molhar plantas, jogar fora jornais, tirar o pó de livros, arrumar discos, olhar paredes, ligar desligar a TV, ouvir Mozart para não gritar e procurar teu cheiro outra vez no mais escondido do meu corpo, acender velas, saliva tua de ontem guardada na minha boca, trocar lençóis, fazer a cama, procurar a mancha de esperma nos lençóis usados, agora está feito e foda-se, nada vale a pena, puxar cobertas, cobrir a cabeça, tudo vale a pena se a alma, você sabe, mas a alma existe mesmo? E quem garante? E quem se importa?"
sábado, 31 de julho de 2010
Alguns dados a cerca do sofrimento mental.
. Transtornos mentais atingem 23 milhões de pessoas no Brasil
Política prioriza doenças graves, mas as mais comuns são depressão, ansiedade e transtornos de ajustamento
21h 11
Agência Brasil
BRASÍLIA - No Brasil, 23 milhões de pessoas (12% da população) necessitam de algum atendimento em saúde mental. Pelo menos 5 milhões de brasileiros (3% da população) sofrem com transtornos mentais graves e persistentes.
De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, apesar de a política de saúde mental priorizar as doenças mais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar, as mais comuns estão ligadas à depressão, ansiedade e a transtornos de ajustamento.
Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por distúrbios mentais ou comportamentais. Os problemas de saúde mentais ocupam cinco posições no ranking das dez principais causas de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Dados da OMS indicam que 62% dos países têm políticas de saúde mental, entre eles o Brasil. No ano passado, o País destinou R$ 1,4 bilhão em saúde mental.
Desde a aprovação da chamada Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001), os investimentos são principalmente direcionados a medidas que visam a tirar a loucura dos hospícios, com a substituição do atendimento em hospitais psiquiátricos (principalmente das internações) pelos serviços abertos e de base comunitária.
Em 2002, 75,24% do orçamento federal de saúde mental foram repassados a hospitais psiquiátricos, de um investimento total de R$ 619,2 milhões. Em 2009, o porcentual caiu para 32,4%. Uma das principais metas da reforma é a redução do número de leitos nessas instituições. Até agora, foram fechados 17,5 mil, mas ainda restam 35.426 leitos em hospitais psiquiátricos públicos ou privados em todo o país.
A implementação da rede substitutiva - com a criação dos centros de Atenção Psicossocial (Caps), das residências terapêuticas e a ampliação do número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais - tem avançado, mas ainda convive com o antigo modelo manicomial, marcado pelas internações de longa permanência.
O País conta com 1.513 Caps, mas a distribuição ainda é desigual. O Amazonas, por exemplo, com 3 milhões de habitantes, tem apenas quatro centros. Dos 27 estados, só a Paraíba e Sergipe têm Caps suficientes para atender ao parâmetro de uma unidade para cada 100 mil habitantes.
As residências terapêuticas, segundo dados do Ministério da Saúde referentes a maio deste ano, ainda não foram implantadas em oito Estados: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Rondônia, Roraima e Tocantins.
No Pará, o serviço ainda não está disponível, mas duas unidades estão em fase de implantação. Em todo o Brasil, há 564 residências terapêuticas, que abrigam 3.062 moradores.
domingo, 20 de junho de 2010
Dedução - Vladimir Maiakovski
Dedução
Não acabarão nunca com o amor, nem as rusgas, nem a distância.
Está provado, pensado, verificado.
Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento:
Amo firme, fiel e verdadeiramente.
(Vladimir Maiakovski)
domingo, 9 de maio de 2010
Todo dia é dia das Mães.
Hoje por uma convenção humana comemoramos o dia 'D' delas, porém seja qual dia for, todo dia é dia das mães. Meu post de hoje é dedicado à todas as mulheres guerreiras, mães, amigas com as quais convivo e compartilho meus melhores e piores momentos...
Segue um texto da Lena Gino sobre as mães:
Tem bicho mais estranho do que mãe?
Mãe é alma contraditória.
É alegria no choro.
É carinho na raiva.
É o sim no não.
Só mãe mesmo pra ser o oposto...
E depois o contrário de novo.
Vai ver que é porque filho não vem com manual de instrução. e pra conduzir as crias no mundo, ela usa só de intuição, pra tentar fazer tudo direito.
Mas como pode ser assim, tão incoerente?
Ela diz:
Filho, você não come nada...
E logo se contradiz:
Para de comer, que eu tô botando o jantar!
E aí ela lamenta:
Ai, que eu não vejo a hora desse menino crescer!
Mas logo se arrepende:
Deixa que eu faço, você ainda é uma criança...
E quando ela manda:
Tira essa roupa quente, menina!
E logo em seguida:
Veste o casaco, quer pegar um resfriado?
Esse menino dorme demais...
Esse menino não descansa...
Essa menina vive na rua!...
Filha, sai um pouquinho, vai pegar um sol...
Pois é, gente, que pessoa é essa que jura que nunca mais...
E no momento seguinte promete que vai ser pra sempre?
Essa pessoa é assim mesmo:
Igual e diferente de tudo o que a gente já viu.
É a fortaleza que aguenta o tranco, só pra não ver o filho chorar.
É o sorriso de orgulho escondido, só pra não se revelar.
Mãe dá uma canseira na gente.
E às vezes tira do sério...
Até que um dia a gente se depara com uma ausência insuportável:
É a mãe que vai embora, deixando um vazio enorme, escuro, silencioso.
E aí descobre que, mesmo errando, ela sabia de tudo, desde o início.
E fez de tudo pra acertar.
Porque criar filho não tem regra - é doação e amor simplesmente.
Então, se você tiver privilégio de abraçar sua mãe nesse segundo domingo de maio, agradeça, porque o presente é seu. E esteja certo:
Mesmo sem manual de instrução, ela continua aí, atrapalhada, contraditória...
Mas com o olhar atento, querendo entender como você funciona.
E fazendo de tudo pra você não falhar.
Feliz dia das mães!
( Lena Gino)
Segue um texto da Lena Gino sobre as mães:
Tem bicho mais estranho do que mãe?
Mãe é alma contraditória.
É alegria no choro.
É carinho na raiva.
É o sim no não.
Só mãe mesmo pra ser o oposto...
E depois o contrário de novo.
Vai ver que é porque filho não vem com manual de instrução. e pra conduzir as crias no mundo, ela usa só de intuição, pra tentar fazer tudo direito.
Mas como pode ser assim, tão incoerente?
Ela diz:
Filho, você não come nada...
E logo se contradiz:
Para de comer, que eu tô botando o jantar!
E aí ela lamenta:
Ai, que eu não vejo a hora desse menino crescer!
Mas logo se arrepende:
Deixa que eu faço, você ainda é uma criança...
E quando ela manda:
Tira essa roupa quente, menina!
E logo em seguida:
Veste o casaco, quer pegar um resfriado?
Esse menino dorme demais...
Esse menino não descansa...
Essa menina vive na rua!...
Filha, sai um pouquinho, vai pegar um sol...
Pois é, gente, que pessoa é essa que jura que nunca mais...
E no momento seguinte promete que vai ser pra sempre?
Essa pessoa é assim mesmo:
Igual e diferente de tudo o que a gente já viu.
É a fortaleza que aguenta o tranco, só pra não ver o filho chorar.
É o sorriso de orgulho escondido, só pra não se revelar.
Mãe dá uma canseira na gente.
E às vezes tira do sério...
Até que um dia a gente se depara com uma ausência insuportável:
É a mãe que vai embora, deixando um vazio enorme, escuro, silencioso.
E aí descobre que, mesmo errando, ela sabia de tudo, desde o início.
E fez de tudo pra acertar.
Porque criar filho não tem regra - é doação e amor simplesmente.
Então, se você tiver privilégio de abraçar sua mãe nesse segundo domingo de maio, agradeça, porque o presente é seu. E esteja certo:
Mesmo sem manual de instrução, ela continua aí, atrapalhada, contraditória...
Mas com o olhar atento, querendo entender como você funciona.
E fazendo de tudo pra você não falhar.
Feliz dia das mães!
( Lena Gino)
sábado, 24 de abril de 2010
Intensidade.
Intensidade ( Tania Melo)
Se preciso desnudar-me para que ,enfim,me conheças,
O faço sem preconceito, sentindo que tu mereças.
Mostro-me como sou,dos pés até a cabeça,
Meu corpo,alma e loucura,não permitem que me esqueças.
O desejo é algo intenso,mexe com o nosso querer,
Não nos deixa respirar, agimos sem entender...
Brota do fundo do peito e nos faz estremecer.
Então não bloqueio nada, deixo tudo acontecer.
Dôo-me a ti,por completo, como se fora o primeiro.
Cada vez que isso acontece, eu me entrego por inteiro.
Perco o senso e o raciocínio,enlouqueço por teu cheiro.
Minha alma se alucina, esse instante é derradeiro.
Quando nós nos entregamos, sinto dor, sinto prazer,
Dor por querer-te tanto, sem, no entanto, poder.
Mas não penso, só me entrego, deixo o amor florescer.
Fecho os olhos, beijo o sonho,nada mais posso fazer.
Publicada na Antologia Poética 'Diversos' -Outubro/2005
Andross Editora- SP.
sábado, 10 de abril de 2010
(...)
Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.
(Martha Medeiros)
terça-feira, 2 de março de 2010
Eu adoro ser um trapezista nesse circo escandaloso em que minha vida se transforma. Às vezes estou na corda bamba, às vezes faço papel de palhaço, às vezes rio dos outros palhaços. Tem dias que rio de mim mesmo, e tem dias que enfrento feras e metáforas. Mas vivo sempre lá em cima, trapezista da minha própria existência, bailarino da minha própria esperança. Quase sempre mando que até retirem as redes de proteção para que o risco seja maior que o riso, para que os saltos sejam mais emocionantes e mais altos, para que a aventura seja ainda mais perfeita e mais profunda. E se um dia eu voar de encontro ao chão, isso não terá nenhuma importância maior, porque também viverei a emoção da própria queda. Em nome da vertigem, toda queda tem poesia. Quem cai por amor à vida, cai sempre para cima.
(Edson Marques)
(Edson Marques)
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Não! - Moní Corrêa
Esse coração atentado
Bate feito um danado
Sem ouvir o meu refrão
Quando digo a ele: Não!
Parece um desalmado
Doido louco arrebatado
Faminto enfeitiçado
Sem aceitar o meu: Não!
Esse coração desenfreado
Adocicado meio melado
É na verdade desregrado
Quando não ouve o meu: Não!
Se provocado é tornado
Ventado desgovernado
Desvairado inflamado
Ele recusa o meu: Não!
Faminto vitaminado
Descompassado malvado
Algumas vezes versado
Mas não aceita um: Não!
Esquece que é reformado
Prejudicado esquartejado
Nunca escuta o meu recado
Embora eu diga sempre: Não!
Esse coração debochado
Fica descompassado
E sente-se violado
Quando grito: Não é Não!
Tresloucado, mas amado
Às vezes acabrunhado
Vê-se acarinhado mimado
Sem precisar do refrão
Que repito sempre: Não!
(Não! - Moní Corrêa)
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui…além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… para me encontrar…
(Florbela Espanca)
domingo, 20 de dezembro de 2009
Amizade Verdadeira - Pe. Fábio de Melo.
Eu sempre acreditei na vida, desde muito pequeno, que existem pessoas na nossa história que elas são tão fundamentais, mas tão fundamentais que a gente não pode mais dizer um nome sem que a gente lembre do nome dela. A gente identifica os verdadeiros amigos, as pessoas essenciais na nossa vida no momento da muita alegria ou no momento de muita tristeza: são esses dois extremos que são capazes de revelar quem a gente ama de verdade. Quando você está alegre demais, aquelas pessoas que você gostaria de tê-las ao seu lado vendo as coisas que você está vendo. Quando você está triste quais são as pessoas que você gostaria que estivessem ali segurando a sua mão? Aí você verifica os seus verdadeiros amigos. Agora, por quê que eles ficaram? É um mistério! A gente nunca sabe dizer porque aquela pessoa ficou amiga da gente. Talvez porque ela tenha tido uma sensibilidade maior que os outros não tiveram, talvez porque elas olharam pra gente de um jeito mais aperfeiçoado, porque tiveram mais paciência com a gente, tiveram mais calma. Não é assim? Os amigos que vão ficar pro resto da vida, a gente pode ter sido enjoado, mas eu sei que na hora que precisar deles eles vão está do meu lado. Só por isso a gente suporta os defeitos dos outros...porque a gente sabe que mesmo que eu esteja na miséria ela vai está ali do meu lado; mesmo que eu perca tudo que eu tenho (...)
Eu achava engraçado porque as novelas mexicanas tem umas frases dramáticas (...) Tem uma frase de novela mexicana que eu sempre recordo, é uma que falava assim: “Meu filho, aconteça o que acontecer nós nunca vamos deixar de te amar”. E eu achava engraçado aquilo, mais cheio de significado. Dramático, né? Aconteça... Gente o que poderia acontecer de tão sério? Sei lá. De repente, você já não é o ser humano que você gostaria de ser. Que tenha dado tudo errado. E eu acho bonito isso, né? Não há condição para o amor nessa casa, aconteça o que acontecer. É aquela velha história: eu briguei com você,eu fiz tudo errado, eu te tratei mal, te destratei...eu fui injusto com você, eu te abandonei, mas de repente no meio da noite meu filho morre e você é a primeira pessoa pra quem eu tenho vontade de ligar. Isso é amor, não há outra chance! Eu não tenho medo que o outro não vá me receber, eu não tenho medo de que o outro vá me tratar mal, do mesmo jeito que o tratei. Eu não tenho medo de que o outro lado tenha resistência a mim. Não! O amor que eu sei que ele tem por mim é que me dá coragem de ligar no meio da noite e dizer: “Eu preciso de você agora, mesmo que você não tenha tido a oportunidade de me ter ao seu lado no momento em que você precisava!” (...) Isso é ser amigo de verdade, é quando não depende do tempo, de quantas vezes eu liguei pra você, quantas vezes eu fui atrás. Não, não, o laço que permanece, que independe do tempo. Que às vezes na correria da nossa vida, às vezes você não tem aquele tempo de cultivar, mas você sabe que ele está lá (...) Eu tô aqui!
Cada vez que eu me recordo a necessidade de ter alguém ao meu lado eu me lembro dessa frase:” Eu tô aqui!” Eu não faço estardalhaço, eu não crio muito barulho, eu não tô dando notícia, mas eu estou aqui!!! O tempo vai passar, as coisas vão ficar diferentes, pode ser que eu não tenha oportunidade de está aí, pode ser que eu não tenha oportunidade de chegar a tempo, mas fique sabendo que eu estou aqui! Que bom que essa frase tem o poder de repercutir em quem ama e talvez quem ame nem sabe o quanto isso repercute, porque experimentar da misericórdia pelo lado dos fortes não sei se tem muita vantagem...Eu quero ver a gente saber experimentar a misericórdia pelo lado dos fracos, quando você precisa ser amado, quando você precisa ser elogiado, quando você precisa ser aquele que sai do lugar para pedir ajuda. Aí nessa hora, neste momento você possa ver que as coisas poderão ser resolvidas com aquela presença que você sabe que não muda, que está ali, alguém que lhe assegura está ali (...) Não sei qual a possibilidade que eu tenho de está na sua vida, não sei de que forma eu possa está na sua vida...pode ser que de uma forma concreta, pode ser que você me conheça (...) eu gostaria de dizer pra você (...) que eu gostaria de continuar estando aqui e dizer:”Eu estou aqui (...)!”
Pe. Fábio de Melo
domingo, 22 de novembro de 2009
...
O coração é mágica
É ímã de atrair e repelir
É pena e tinta pra começar nova estória
É borracha pra recomeçar outra sina
É tudo que temos como norte
E é a bússola da nossa sorte...
(Fábio Rocha)
É ímã de atrair e repelir
É pena e tinta pra começar nova estória
É borracha pra recomeçar outra sina
É tudo que temos como norte
E é a bússola da nossa sorte...
(Fábio Rocha)
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Tá tudo na MENTE.

‘Escrevi
Apaguei
Escrevi
Apaguei
Escrevi apaguei.
Essa bola de fogo no céu é o sol?
O dia de dia é diferente.
Um mergulho pode salvar a gente ou pode matar de vez.
Estive enfurnado em sentimentos densos, confesso. Ainda estou tentando me acostumar com a maneira como vou modificando meu olhar sobre o mundo e sob o mundo. Há muito o que se fazer quando tu te decides "conhecer a ti mesmo". A grande maioria das pessoas passará por esse planeta sem ter qualquer interesse em vasculhar seus próprios esgotos e oásis. Passarão como papagaios repetindo frases feitas, conceitos estúpidos, sem perceber ou decifrar qualquer paradigma, entupidos de verdades jogadas como plásticos pela janela do carro ou levando adesivos colados na testa. Se estiverem felizes, ótimo, só não me venham dizer como devo proceder com relação as minhas escolhas. Que a ignorância é uma benção, não tenho do que duvidar. Mas já for a dito certa vez "Para o conhecimento há limites, só não há limites para a ignorância" e ai não estamos, pelo menos eu, nos referindo ao "Não saber" e sim ao "achar que sabe demais" a ponto de poder julgar como se detivesse a razão suprema (...)’ (Tico Sta Cruz)
Ps.: Mais um texto do Tico Sta Cruz, só porque eu particularmente sou apaixonada pelos escritos dele; sejam de cunho crítico, reflexões ou até mesmo seus contos eróticos, ele manda muito bem. Segue o link para quem quiser conhecer seu trabalho: http://bloglog.globo.com/ticosantacruz/
Já disse antes, mas não custa repetir: Vale muito a pena conhecer!
sábado, 7 de novembro de 2009
Retrato - Cecília Meireles
Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face?
(Cecília Meireles)
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Fé
Fé
É algo tão íntimo e tão complexo, que fica difícil dizer alguma coisa concreta. Eu não critico, não julgo e não fico analisando a fé alheia... acho que ninguém tem autoridade pra isso.
Fé é coisa que a gente adquire.
Se trouxer conforto, fica com a gente pra sempre.
O que eu posso falar é da minha fé.
Daquilo que move os meus sonhos.
Eu tenho fé e ela me traz conforto, sim.
E ela tem o peso e a força de tudo o que eu penso de bom pra minha vida.
Quer saber então o tamanho da minha fé?
É imensa!
Dizer pra você ter fé pode parecer lugar comum.
Mas eu ouvi isso um dia:
"Tenha fé"... e foi muito bom.
Hoje eu sei que, sem ela, não iria muito longe.
Dê o nome que você quiser à fé.
Chame de força, de pensamento positivo, de energia...
Chame até de intuição... mas o importante é saber onde ela está.
E ela tem que estar aí dentro de você.
Nunca em outra pessoa, nunca na crença do outro.
Ter a fé aqui dentro transforma tudo.
Dá sentido às coisas... e torna sonhos possíveis, por mais impossíveis que eles possam parecer.
Mesmo que a vida me pregue peças, esse sentimento não sai de mim... porque eu não conheço uma pessoa feliz, realizada e otimista, que não tenha fé.
( Por Lena Gino)
domingo, 1 de novembro de 2009
...
terça-feira, 27 de outubro de 2009
...
Nada pertence a ninguém!!!
Não permitir que a primavera realce as cores da natureza é o mesmo que fundamentar uma nuvem de carbono e acabar com as sutis diferenças entre as estações do ano. É desejar que a aquarela não ouse misturar outras marcas de tintas para colorir novas paisagens com novas influências, outras visões, outros olhares. Ao querer que o que nos cerca seja sempre igual ao que era quando conhecemos, sem querer, demonstramos nossa incapacidade de lidar com as transformações. Transformações estas que supostamente estimulamos e assim acabamos assumindo o papel do agente que agora condena seu objeto de admiração ao gelo. Congelamento. Não gostaria de amar uma estátua de cera. Nem ter apenas um livro disponível na minha biblioteca. O mesmo programa de TV todo domingo. A mesma música que fala das mesmas ilusões ou desilusões. Ainda é pior quando não somos capazes de assumir o protagonismo daquilo que queremos no mundo. Sinto saudades, sinto falta, recordo quando...
Expressões que jogam o peso do saco sem fundo nas costas do outro.
Por que não faço o que espero daquele que me inspirava?
Por que não sou capaz de plantar e semear uma nova safra de idéias e ideais?
Quando a gente se apega ao passado e não se permite entender que alguns seres sofrem mutações profundas, o tempo vai passando e entupindo a esperança, como se fosse o canal auditivo lotado de uma secreção surda. "Espero que ele (ela) volte a ser como era antes", "Tenho esperança de que me atraia como me atraiu naquele dia em que fez uma surpresa tão linda quando despertei pela manhã".
Preciso dar o direito da pessoa que admiro, que gosto, que tenho apreço de ter suas frustrações, seus sofrimentos internos, suas desilusões graves, seus desbundes, deslumbramentos, seus vícios, suas loucuras e até suas previsibilidades irritantes. Preciso dar-lhes o direito de se expandirem, se retraírem, de se perderem, se encontrarem numa nova, numa antiga, numa boa, numa má, na vibração de Deus ou do Diabo.
Moldar alguém é como escravizar a alma desse mesmo alguém que te fez feliz um dia.
Eu posso ficar o dia todo chorando ou reclamando que o que acontece atualmente não me apetece mais como antes. "Ah como eu gostava de tudo aquilo e hoje não é mais o mesmo" O que não deveria é fincar estacas para que as raízes parem de crescer, pois tirar o direito alheio de forjar, mentir, vomitar, se expressar como bem quiser e até vir a melhorar para si mesmo, não necessariamente para mim, é o desejo estéril de inutilizar e cristalizar a evolução da alma e do espírito alheio.
Eu posso até tecer minhas críticas a ele. Posso não gostar, posso discordar, mas devo aceitar que tem o direito de ir onde quiser, como quiser, com quem quiser, a hora que for, sem que para isso precise de minha autorização.
Dêem liberdade aos pássaros ou contentem-se com os corações empalhados.
No fim, isso é só medo. Medo de não se sentir mais tão familiar com que antes poderia chamar de seu.
Nada pertence a ninguém.
NADA.
( Por Tico Sta Cruz)
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